O Ritual Menor de Banimento do Pentagrama (RMP) é uma das práticas mais fundamentais e amplamente utilizadas na magia cerimonial ocidental. Reconhecido por sua eficácia na purificação e proteção energética, este ritual serve como um pilar para muitos praticantes, desde neófitos até magistas experientes. Este guia detalhado explora a história, a execução passo a passo, os instrumentos e os ingredientes associados a esta poderosa prática.
História do Ritual Menor do Pentagrama
O Ritual Menor do Pentagrama (RMP) tem suas raízes profundamente entrelaçadas com a história da Hermetic Order of the Golden Dawn (Ordem Hermética da Aurora Dourada), uma influente sociedade secreta do final do século XIX. Fundada em 1888 por William Robert Woodman, Samuel Liddell MacGregor Mathers e William Wynn Westcott, a Golden Dawn foi uma ordem de estilo Maçônica/Rosacruciana dedicada ao estudo e prática da magia cerimonial ocidental e do ocultismo [1].
A ordem se destacou por sua abordagem sistemática e estruturada ao ensino das artes mágicas, incorporando elementos da Kabbalah, Tarot, astrologia, geomancia e outros sistemas esotéricos. O RMP era, de fato, o primeiro ritual ensinado aos seus membros neófitos, servindo como uma introdução essencial aos princípios da magia e como uma ferramenta fundamental para a purificação e proteção do espaço ritualístico [1].
Entre os membros mais proeminentes da Golden Dawn, que contribuíram significativamente para a disseminação e evolução das práticas mágicas, estavam figuras lendárias como Aleister Crowley, Dion Fortune, Israel Regardie e W.B. Yeats. Embora a Golden Dawn tenha tido uma existência relativamente curta como uma organização unificada, seu legado e suas práticas, incluindo o RMP, influenciaram profundamente a maioria das ordens mágicas e tradições ocultistas conhecidas hoje [1].
O RMP não é apenas um ritual de banimento; ele também serve como uma ferramenta de meditação, centralização e proteção. Sua ampla adoção por diversas ordens e tradições contemporâneas, muitas vezes com variações adaptadas, atesta sua universalidade e eficácia duradoura no campo da magia cerimonial [1, 3].
Execução e Explicação do Ritual Menor do Pentagrama
O Ritual Menor do Pentagrama (RMP) é uma prática fundamental para a limpeza e proteção energética de um espaço, preparando-o para qualquer trabalho mágico ou simplesmente para manter um ambiente harmonioso. A chave para a eficácia do RMP reside na visualização intensa e na intenção clara do praticante. Não se trata apenas de imaginar, mas de ter a certeza de que as energias e símbolos traçados estão firmemente estabelecidos no plano astral [1, 3].
Exercícios Preliminares Essenciais
Antes de se aprofundar no RMP, é crucial dominar dois exercícios preparatórios que fortalecem a capacidade de visualização e a conexão energética:
- Cruz Cabalística (ou Rosa Cruz): Este exercício estabelece um pilar de luz no centro do praticante, conectando-o às energias divinas e terrenas. É a base para a centralização e o equilíbrio.
- Exercício de Visualização dos 4 Pentagramas: Ajuda a desenvolver a habilidade de projetar e manter pentagramas flamejantes nos pontos cardeais, essencial para a Parte 2 do RMP.
O Ritual Passo a Passo
Parte 1 – A Cruz Cabalística (ou Rosa Cruz)
Esta parte do ritual é realizada de frente para o Leste, preferencialmente diante de um altar. O objetivo é criar uma cruz luminosa no centro do seu ser e do espaço. O traçado é feito com os dedos indicador e médio estendidos, enquanto os outros dedos permanecem fechados.

- Toque a Testa e Diga “ATEH” (Tu És): Visualize uma luz divina brilhante descendo do alto de Keter (a coroa, o ponto mais alto da Árvore da Vida) até a sua testa, preenchendo-o e o altar com essa energia celestial.
- Toque a região da genital e Diga “MALKUTH” (O Reino): Com a mão em posição de “figa” (polegar entre o indicador e o médio), imagine a energia divina descendo pelo seu corpo, fecundando a terra aos seus pés e fincando as bases de uma cruz luminosa. Visualize um pilar de luz se formando no centro do templo.
- Toque o Ombro Direito e Diga “VE – GEBURAH” (E o Poder): Visualize a energia luminosa se estendendo do seu centro para o ombro direito, formando o braço direito da cruz, associado ao rigor e à força.
- Toque o Ombro Esquerdo e Diga “VE – GEDULAH” (E a Glória): Visualize a energia se estendendo do seu centro para o ombro esquerdo, formando o braço esquerdo da cruz, associado à misericórdia e à expansão. Enquanto traça os braços da cruz, sinta e visualize essa energia luminosa se espalhando, formando a estrutura completa da Cruz Cabalística no centro do seu ser e do templo. [Imagem: Cruz Cabalística]
- Trace o seu Sigilo Pessoal (Opcional): Se você tiver um sigilo pessoal, trace-o no centro da cruz, visualizando-o em um dourado brilhante, representando Tiferet (a beleza e o equilíbrio na Árvore da Vida).
- Junte as Mãos no Peito e Diga “LE – OLAHM AMEN” (Para Todo o Sempre, Amém): Junte as mãos em oração no peito. Visualize a energia divina projetando-se para dentro do Templo, iluminando toda a Sala Capitular ou espaço ritualístico e afastando qualquer interferência negativa ou profana. Esta ação sela a Cruz Cabalística e consagra o espaço interior.
Parte 2 – Os Pentagramas
Esta parte envolve o traçado de quatro pentagramas de banimento nos pontos cardeais, selando o espaço com energia protetora.


- Leste: De frente para o Leste, adote a forma do Kubera-Mudra (dedos polegar, indicador e médio unidos, como se segurasse um giz invisível). Desenhe um pentagrama de invocação do elemento AR. Visualize-o em chamas azuladas intensas. No centro do pentagrama, visualize o nome divino IHVH (pronuncia-se “Iod Rê Vav Rê”). Inspire profundamente, sentindo o nome passar pelo seu peito até os pés e irradiando ao seu redor. Trace seu Sigilo Pessoal (se houver) no centro do pentagrama com os dedos, toque o símbolo e vibre o nome, espalhando a energia pelo pentagrama flamejante. Em seguida, trace um Círculo de Proteção no sentido horário, do Leste para o Sul, circundando o meridiano do Templo.
- Sul: Gire para o Sul, repita o processo de traçado do pentagrama, mas dessa vez de invocação do elemento FOGO, e visualização, mas troque o nome divino por “ADONAI” (Senhor). Continue o Círculo para o Oeste.
- Oeste: Gire para o Oeste, repita o processo, trocando o traçado do pentagrama para invocação do elemento ÁGUA o nome divino por “EHEIEH” (Eu Sou, pronuncia-se “É-Ré-Iée”). Continue o Círculo para o Norte.
- Norte: Gire para o Norte, repita o processo, trocando o elemento de invoação do pentagrama para TERRA e o nome divino por “AGLA” (Tu és poderoso para sempre, ó Senhor). Continue o Círculo para o Leste, fechando todo o conjunto e completando o círculo de proteção.
Parte 3 – Invocação dos Arcanjos
Nesta etapa, você invoca os Arcanjos para guardar e proteger os limites do seu espaço ritualístico. Fique na posição de Cruz (braços abertos e pés juntos) e vibre os nomes:
- “A minha frente RAPHAEL”: Visualize o Arcanjo Raphael (associado ao elemento Ar) à sua frente, guardando o Leste.

- “Atrás de mim GABRIEL”: Visualize o Arcanjo Gabriel (associado ao elemento Água) atrás de você, guardando o Oeste.

- “A minha direita MICHAEL”: Visualize o Arcanjo Michael (associado ao elemento Fogo) à sua direita, guardando o Sul.

- “A minha esquerda AURIEL”: Visualize o Arcanjo Auriel (associado ao elemento Terra) à sua esquerda, guardando o Norte.

- “Pois ao meu redor flamejam os Pentagramas”: Reforce a visualização dos pentagramas em chamas nos pontos cardeais e dos Arcanjos guardando-os. O magista, no centro, representa o quinto elemento, o Espírito, unindo os quatro elementos.
- “E na coluna do meio, brilha a estrela de seis raios”: Visualize dois Hexagramas (estrelas de seis pontas), um acima e outro abaixo de você, com uma faixa de luz vertical que o envolve, formando uma espécie de “grade” protetora ao redor do local.
Parte 4 – Encerrando o Ritual
Para finalizar o ritual, repita a Cruz Cabalística (Parte 1). Isso sela as energias e ancora a proteção no espaço. Os Pentagramas e a proteção permanecerão ativos enquanto sua vontade e visualização forem capazes de mantê-los. Uma vela acesa no altar pode ser usada como um foco para auxiliar na manutenção dessa visualização [1, 2, 3].
Mas caso deseje destraçar os pentagramas manualmente, o que eu recomendo, para não ficar consumindo sua energia, trace os pentagramas de banimento correspondente aos elementos do ponto cardinal, começando do Norte (TERRA), indo em sentido anti-horário, passando por Oeste (ÁGUA), Sul (FOGO), Leste (AR) e voltando-se para Norte, mas dessa vez sem traçar o pentagrama [3].

Então, finalmente, agradeça e dispense os arcanjos na ordem inversa que foram invocados [3].
Instrumentos Utilizados
O Ritual Menor do Pentagrama é notável por sua simplicidade em termos de requisitos materiais. Diferente de muitos rituais que exigem uma vasta gama de ferramentas e substâncias, o RMP foca primariamente na capacidade do praticante de visualização, intenção e vontade [3].
Os principais “instrumentos” para a execução do RMP são o próprio corpo do praticante e sua mente:
- As Mãos do Praticante: Utilizadas para tocar os pontos da Cruz Cabalística e para traçar os pentagramas e o círculo de proteção no ar. A precisão dos gestos e a força da visualização são mais importantes do que qualquer ferramenta física [3].
- A Mente e a Vontade: A capacidade de visualizar vividamente os símbolos, as luzes e os Arcanjos, juntamente com uma forte intenção e força de vontade, são os verdadeiros motores do ritual. Sem eles, as ações físicas seriam vazias [3].
Instrumentos Opcionais:
- Vela no Altar: Embora não seja estritamente necessária, uma vela acesa no altar pode servir como um ponto focal para auxiliar na visualização e na manutenção da energia do ritual. Ela atua como um âncora física para a energia astral criada [3].
- Altar: Um altar, preferencialmente voltado para o Leste, pode ser usado como um ponto central para o ritual, mas não é um requisito absoluto. O “Coração do Templo” pode ser o próprio espaço do praticante [3].
Referências
[1] Projeto Mayhem. “Ritual Menor do Pentagrama”. Disponível em: https://projetomayhem.com.br/ritual-menor-do-pentagrama/. Acesso em: 23 de setembro de 2025.
[2] Caotize-se. “Ritual Menor do Pentagrama”. Disponível em: https://caotize.se/texto/ritual-menor-do-pentagrama/. Acesso em: 23 de setembro de 2025.
[3] DESALVO, John. Magia Enochiana e os Mundos Superiores: Além do Reino dos Anjos. 1ª ed. São Paulo: Madras, 2019.
Atenciosamente,
A Ordem